Category: Da Balbúrdia

Olá, Mergulhemos na essência que compõe a vida. Vamos, de cabeça, sem recear o desconhecido, sem temer o desfecho mais trágico ou deixar de saborear os acasos felizes com o melhor gosto. Atente o caríssimo leitor que não se trata de irresponsabilidade mas, sim, de aceitar o fatalismo existencialista de que somos um todo para

Olá, Vi há umas semanas o mais recente documentário do Louis Theroux sobre a manosfera. Apesar de vários momentos de repugnância e incómodo, acabei de o ver e não aprendi nada de novo. Os protagonistas são broncos que apregoam uma masculinidade ultra tóxica e misógina e que exigem um padrão moral ao qual, categoricamente, se

Olá, O que é a morte para uma criança? É um exercício curioso ver a relação das crianças com a morte, nas várias maturações intelectuais que vão passando. O meu filho mais novo, com quase três anos, não compreende o conceito, nem a ausência. É normal que assim seja no seu pequeno cérebro de menino.

Olá, Ultimamente, tenho-me cruzado com fotografias antigas. Vou desfazendo a casa dos meus pais com mais de 40 anos de existência e encontrando pequenos tesouros. Muitos apertam-me o coração, depois a garganta e quase sempre acabo a chorar, num misto de saudosismo com uma profunda sensação de vazio. Nas fotografias, vejo-me em bebé, rodeado de

Olá, Na estação onde apanho o comboio diariamente para chegar a Lisboa, há umas escadas rolantes que sobem da zona onde as pessoas deixam os carros. É uma roleta russa que se funde com a lei de Murphy: nos dias em que mais cansado me sinto é quando as escadas, por algum motivo, não estão

Olá, Os dias discorrem lentamente, numa amálgama de acontecimentos. Evito sentir e, para isso, vou fazendo coisas. Tarefas, burocracias, arranjos, vendas, organizações. Não deixa de ser engraçado porque eu não sou nada disto: lá em casa quem monta os móveis do IKEA é a Sofia. Por norma, procrastino pequenos arranjos em falta lá por casa,

Olá, O meu pai morreu no dia dezanove de Fevereiro. Tenho escrito muito no meu diário sobre isto – quis guardar detalhes que, aquando da minha mãe, perdi por completo. Mas esta crónica é a segunda tentativa de escrever sobre esta perda publicamente. A primeira versão, um outro documento, é demasiado crua, pessoal e transparente.

Olá, Há momentos na vida em que a capitulação se pode apresentar como uma inevitabilidade. Passaram poucas semanas desde que aqui escrevi sobre o compromisso em tomar uma posição literária e assumir um dos acordos ortográficos. Julguei eu que a minha vasta experiência em facilitismo funcional me tinha orientado para a escolha óbvia: do antigo

Olá, Inacreditavelmente, escrevi o meu primeiro conto em anos. É-me difícil de crer porque foi custoso escrevê-lo – demasiadas vezes achei que não o ia terminar, que era uma tarefa impossível. Há um esforço hercúleo em idear uma história – podia ser um falso modesto e justificar esta dificuldade com um putativo perfeccionismo. Mas a

Olá, Um dos grandes choques que tive quando me compreendi como pai foi ter que tentar dar ferramentas aos meus filhos que eu próprio não domino. Como se lhes tivesse que ensinar a operar uma máquina sem nunca a ter visto. Sendo um homem criado numa estrutura patriarcal, as questões emocionais nunca foram lineares, bem

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