Category: Crónicas

Olá, Não me tem apetecido escrever. Aliás, esta crónica arranca sobre um vazio absoluto de ideias. Terminei, há dias, o Tecnofeudalismo do Varoufakis: quis escrever sobre ele, tirei inclusivé algumas notas, mas faltam-me ganas. Para escrever basta alocar tempo e espaço do nosso dia ao mister; mas isso é uma escrita solta, com raízes no

Sentou-se num banco ao pé de um jardim. Era o começo do dia, as pessoas ainda procuravam chegar aos seus destinos, havia a promessa de um novo ciclo, cheio de possibilidades. Apesar das parecenças, não era o mesmo mundo do tempo dos seus pais. As rotinas tinham semelhanças, é certo, mas havia algo de estruturalmente

Já aqui escrevi, mais de uma vez, sobre a estrelinha que sinto que me acompanha há anos. Não há nada aqui de esotérico nesta afirmação: é a forma que encontrei para descrever a sorte e o privilégio com que cresci e que influenciaram muito do caminho que a minha vida tomou. Cresci num dos melhores

Estava sol e o dia estava quente, sem ser desconfortável. Devia ser primavera ou início do Verão. Também podia ser um dia solarengo de Outono ou Inverno, falta-me precisão na memória. Os miúdos da escola em frente deviam estar em aulas, ou de férias; sei que não os ouço na recordação deste passado e que

Nunca pensei querer escrever um texto depois de ler um post no Reddit. Mas aqui estamos. O título parecia um dos milhares de desabafos que tive ao longo da vida: o culto do desenrascanço é uma das maiores âncoras ao progresso em Portugal. Permitam-me transparência e honestidade radicais: se pudesse não trabalhar, não trabalhava. Não

Olá, Estava a precisar de parar, de rasgar a rotina e procurar abrigo noutras paisagens. As férias têm esse condão: permitem-nos a pausa necessária para que respiremos de uma outra maneira. É nessa alteração de padrão que descobrimos outros tempos e, nessa descoberta, permitimo-nos a outras coisas. É um privilégio pelo qual a minha saúde

Na vida ocorrem sincronicidades interessantes. Poucos dias depois de uma conversa sobre paternidade com um conhecido que voltei a reencontrar por interposta pessoa, deparei-me com um texto corajoso, transparente e genuíno sobre maternidade – ou a sua romantização – escrito pela maravilhosa Raquel Dias da Silva. Partilhar Estava à espera do arranque de um concerto

Olá, Ocasionalmente sinto nas vísceras algo que não sei definir com precisão. Será inveja? Consultei a infopédia: Eu conheço perfeitamente esta sensação, a chamada dor de cotovelo e, sim, também a sinto. É parecido, mas não é bem isso que estou a tentar descrever. Permitam-me explicar: é o “desejo de possuir algo que outra possui

Sou um ser de hábitos e encontro enorme conforto na rotina. Mas, de tempos a tempos, por força das circunstâncias e da impermanência de que o mundo é feito, vejo-me forçado a mudar. Novas rotinas, outros horários. Depois da resistência inicial, a paternidade permitiu-me alguma flexibilidade. Era mais complicado, antes. No ano em que dei

O peso do mundo pode esmagar um peito incauto. Cruzamo-nos com outras almas e aparentamos estar alinhados na engrenagem. O ranger das peças perfeitamente encaixadas numa ilusão de bem-estar esconde a fealdade, claro. Escorre um ódio muito particular das paredes que compõem o mundo que conhecemos – uma intolerância que tem vindo a insuflar, e

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