Author: João Azevedo

Secaram-me as palavras esta semana. A boca, pastosa, remeteu-se ao silêncio forçado de quem fica sem chão. A escrita acontece somente para mim, impossível de partilhar, incapaz de apaziguar. Deixo-vos com o tio Zoca: Sobraremos em versos nos dias futuros; hão-de abrir-nos, numa inesperada hora macia, e uma voz que dirá outros nomes, dias, esperanças,

Olá, espero que te encontres bem. O cursor apoderou-se da página, intermitente e hesitante. Eu sabia que queria escrever um texto sobre o regresso das férias e da pausa anual que faço destas crónicas, mas fui tomado por um vazio. Sentia que não tinha nada para vos dizer. Nestes momentos, o cursor usurpa o espaço

Olá, Tomei a decisão editorial de adiar o texto desta semana. As razões são várias: falta de tempo, de espaço mental, de vontade. Estou a gostar de escrever o texto que vai inaugurar o regresso à rotina – talvez Setembro seja, de facto, a altura em que deveríamos celebrar um novo ano. Mas é um

Olá, Chegou aquela altura do ano em que, de alguma forma, estas crónicas semanais são interrompidas. No primeiro verão desta newsletter cravei a alguns amigos que me viessem substituir. Foram impecáveis e, na minha ausência, deixaram aqui as suas palavras, de forma altruísta, para que não ficasse só a carregar o fardo. No ano passado

Olá, Não me tem apetecido escrever. Aliás, esta crónica arranca sobre um vazio absoluto de ideias. Terminei, há dias, o Tecnofeudalismo do Varoufakis: quis escrever sobre ele, tirei inclusivé algumas notas, mas faltam-me ganas. Para escrever basta alocar tempo e espaço do nosso dia ao mister; mas isso é uma escrita solta, com raízes no

Sentou-se num banco ao pé de um jardim. Era o começo do dia, as pessoas ainda procuravam chegar aos seus destinos, havia a promessa de um novo ciclo, cheio de possibilidades. Apesar das parecenças, não era o mesmo mundo do tempo dos seus pais. As rotinas tinham semelhanças, é certo, mas havia algo de estruturalmente

Já aqui escrevi, mais de uma vez, sobre a estrelinha que sinto que me acompanha há anos. Não há nada aqui de esotérico nesta afirmação: é a forma que encontrei para descrever a sorte e o privilégio com que cresci e que influenciaram muito do caminho que a minha vida tomou. Cresci num dos melhores

Acredito que parte do valor de cada um de nós está no seu olhar único sobre o mundo. O gosto e as afinidades são parte integrante – e importante – desse olhar. Aquilo que muitas vezes aprecio nas partilhas no universo digital são precisamente as recomendações e caminhos que desconhecia. Acabo por conhecer realidades e

Estava sol e o dia estava quente, sem ser desconfortável. Devia ser primavera ou início do Verão. Também podia ser um dia solarengo de Outono ou Inverno, falta-me precisão na memória. Os miúdos da escola em frente deviam estar em aulas, ou de férias; sei que não os ouço na recordação deste passado e que

Nunca pensei querer escrever um texto depois de ler um post no Reddit. Mas aqui estamos. O título parecia um dos milhares de desabafos que tive ao longo da vida: o culto do desenrascanço é uma das maiores âncoras ao progresso em Portugal. Permitam-me transparência e honestidade radicais: se pudesse não trabalhar, não trabalhava. Não

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