Sou um ser de hábitos e encontro enorme conforto na rotina. Mas, de tempos a tempos, por força das circunstâncias e da impermanência de que o mundo é feito, vejo-me forçado a mudar. Novas rotinas, outros horários. Depois da resistência inicial, a paternidade permitiu-me alguma flexibilidade. Era mais complicado, antes. No ano em que dei
O peso do mundo pode esmagar um peito incauto. Cruzamo-nos com outras almas e aparentamos estar alinhados na engrenagem. O ranger das peças perfeitamente encaixadas numa ilusão de bem-estar esconde a fealdade, claro. Escorre um ódio muito particular das paredes que compõem o mundo que conhecemos – uma intolerância que tem vindo a insuflar, e
As casas vazias reverberam de outra maneira e acentuam o óbvio. A chave grossa entrou na fechadura e fez com que a porta da entrada se abrisse. O som metálico, seco e imponente, igual ao longo do anos, repetiu-se novamente. A vida são estas repetições que só perante a iminência de as perdermos é que
Olá, Tenho vivido debaixo de uma pedra, ao que parece. Uma das (des)vantagens de não ter redes sociais é não saber das celeumas sociais, tão abundantes nos nossos dias. Por vezes tenho saudades de alimentar a alcoviteira que há em mim, não fosse o mexerico parte integrante de uma das teorias da evolução humana. No
Olá, Percebi, há uns tempos, que vivo uma relação tóxica com a poesia. Diria, até, abusiva e violenta. O meu querido Saramago tirou-me as palavras da boca com o título do seu livro de estreia nas artes poéticas: os poemas possíveis. Passo a explicar: na minha vida, a poesia existe na medida do possível. Rasgou-me
Olá, Mergulhemos na essência que compõe a vida. Vamos, de cabeça, sem recear o desconhecido, sem temer o desfecho mais trágico ou deixar de saborear os acasos felizes com o melhor gosto. Atente o caríssimo leitor que não se trata de irresponsabilidade mas, sim, de aceitar o fatalismo existencialista de que somos um todo para
Olá, Vi há umas semanas o mais recente documentário do Louis Theroux sobre a manosfera. Apesar de vários momentos de repugnância e incómodo, acabei de o ver e não aprendi nada de novo. Os protagonistas são broncos que apregoam uma masculinidade ultra tóxica e misógina e que exigem um padrão moral ao qual, categoricamente, se
Olá, Ultimamente, tenho-me cruzado com fotografias antigas. Vou desfazendo a casa dos meus pais com mais de 40 anos de existência e encontrando pequenos tesouros. Muitos apertam-me o coração, depois a garganta e quase sempre acabo a chorar, num misto de saudosismo com uma profunda sensação de vazio. Nas fotografias, vejo-me em bebé, rodeado de
