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Escolhas

On Setembro 27, 2024porJoão Azevedo

Somos o que escolhemos.

Olá,

Por dia, fazemos milhares de escolhas. Elas têm variados graus: escolhas importantes, escolhas mais mundanas e micro escolhas. Quem escolhemos amar, que roupa vestir ou que prato escolher da ementa. Com quem nos damos e queremos falar. Como nos queremos nutrir, física e espiritualmente. Todos os dias faço escolhas que nem sempre consigo levar avante, seja pela minha força de vontade, pelas circunstâncias, pelo estado de espírito ou anímico. Escolher implica o uso do meu córtex pré-frontal, mas agir precisa de mais partes do cérebro, incluindo as mais primitivas, animalescas e instintivas. Vivo muito este conflito interno entre querer levar avante escolhas que intelectualizo como sendo as melhores para mim e a força de vontade para agir sobre elas. A distância que as separa, por vezes, é astronómica e trás-me dissabores. Viver com a sensação de que não consigo cumprir com o que me proponho, nem com os padrões que estabeleço dilacera-me e mina a minha autoestima.

Fui desafiado pelo meu terapeuta a escrever aqui sobre isto. Entre a minha visão estoica – e talvez idílica – daquilo que quero ser e preciso de fazer para o ser e a minha necessidade de me aceitar como sou e permitir-me relaxar e viver com menos constrangimentos autoimpostos. Tenho um historial familiar de adições e comportamentos aditivos e não escapei a repetir os mesmos padrões no passado. Hoje, talvez por ter conquistado a liberdade de certos vícios ,vivo com um receio enorme de cair num laxismo e hedonismo tais que me levem de novo a tais caminhos. Tenho medo de perder o controlo – que sei que é ilusório, não existe – e deixar-me ir sem pensar nas consequências. Não controlo absolutamente nada e, mesmo assim, sinto a necessidade de planear e gerir quase todos os aspetos da minha vida. Irónico. A vida ensinou-me que, apesar do prazer do momento, as faturas acabam por chegar para serem pagas. Desenvolvi, portanto, mecanismos muito rígidos – rotinas e hábitos – que luto em manter para me irem dando a sensação de domínio sobre a minha vida. Mas quando essas rotinas falham, ou se tornam mais esporádicas, assola-me um medo enorme. De provar que sou insuficiente, fraco demais, incapaz de gerir a sua própria existência. Às vezes, até sinto um terror: de voltar a antigos mecanismos, muito pouco saudáveis, para enfrentar o meu dia-a-dia. E agarro-me a rituais, rotinas e repetições o mais que posso para conseguir, um dia de cada vez, adiar a minha hipotética queda.

Mas não posso ignorar quem sou e os traços que fazem também parte de mim. Sou um bon vivant, que peca muitas vezes pela gula, que agradece a Baco as suas intervenções no mundo dos homens e cujo estado natural é procurar diversão e momentos de lazer. Que precisa de tempo sozinho, seja para vegetar a ver televisão ou estar perdido com os meus pensamentos. Preciso de me nutrir, com tempo com amigos, com coisas que gosto de fazer. E muitas vezes, este alimento para a alma, colide de frente com os tais padrões tornados rotinas.

woman standing in brown field while looking sideways

Existe algures um equilíbrio, claro. Tenho-o procurado muito na última década e vou vivendo fases. A linha ténue entre o autocuidado e o descuido. Entre a aceitação e a intransigência. Tento praticar um conceito que aprendi com a Dra. Becky Kennedy chamado Most Generous Interpretation (Interpretação mais Generosa). É apenas olhar para as situações pelas quais passo e atribuir-lhes uma narrativa – a tal interpretação – o mais generosa possível, evitando assim fluxos de pensamentos menos bons sobre mim e sobre os outros. Olhar para as coisas que acontecem e comportamentos dos outros não só com a aceitação de serem como são, mas com o olhar mais generoso possível. Na prática, é procurar o melhor da humanidade e da nossa existência em cada interação. É um exercício difícil, não duvidem. Penso que para muitos de nós é até impossível, porque por defeito, tendemos a esperar o pior das pessoas. Mas aprendi uma espécie de mantra com a minha empathy buddy que conheci num curso sobre parentalidade consciente: a forma como vemos e lidamos com os outros diz mais sobre nós do que sobre os outros. Na maior parte dos dias sou um otimista por defeito e espero encontrar o melhor da humanidade em todos nós. Com outros, e principalmente comigo, esforço-me por olhar para quem me rodeia com a interpretação mais generosa possível.

Todos os dias posso fazer escolhas, alinhadas ou não com as minhas intenções. E observo, também, as escolhas dos outros. Os nossos egos são poderosos o suficiente para nos fazer crer em narrativas cuidadosamente filtradas da realidade e que servem somente a nossa vontade de ver o mundo. Arrisco dizer que esta é a base de qualquer conflito. E o poder dessas crenças, dessas visões que construímos de nós e do que nos rodeia, consegue até afastar-nos de quem supostamente amamos. O orgulho prevalece sobre o amor. E nascem os conflitos armados, pais e filhos que se rejeitam, familiares que só admitem a sua própria visão numa relação e se afastam de primos, tios, netos. Debato-me, também, com escolhas, todas os dias. Vivo intensamente o meu conflito interno e a forma como me relaciono com o mundo exterior. Mas tento fazer as minhas escolhas de forma alinhada com as minhas intenções e com a interpretação mais generosa possível. Como disse é difícil, mas é como – neste momento – escolho viver a minha vida.

Até para a semana,

João

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