Author: João Azevedo

É Inverno. As ruas estão geladas, o frio corta, mil cortes que apenas encontram alívio ao sol. O comércio é o coração da Avenida. Pode-se viver uma vida inteira neste bairro e nunca precisar sair dele. As pessoas caminham nas suas pressas, conversando com quem conhecem e ignoram, imperiosamente, os restantes. Há um ritmo que

Na vida ocorrem sincronicidades interessantes. Poucos dias depois de uma conversa sobre paternidade com um conhecido que voltei a reencontrar por interposta pessoa, deparei-me com um texto corajoso, transparente e genuíno sobre maternidade – ou a sua romantização – escrito pela maravilhosa Raquel Dias da Silva. Partilhar Estava à espera do arranque de um concerto

Olá, Ocasionalmente sinto nas vísceras algo que não sei definir com precisão. Será inveja? Consultei a infopédia: Eu conheço perfeitamente esta sensação, a chamada dor de cotovelo e, sim, também a sinto. É parecido, mas não é bem isso que estou a tentar descrever. Permitam-me explicar: é o “desejo de possuir algo que outra possui

Olá, Já aqui tentei incluir no final das minhas crónicas recomendações. Nunca tiveram a constância que almejei mas, a dada altura, existiram. O tempo tratou de as relegar para segundo plano e tornou-se cada vez mais exíguo. Eu escudei-me no argumento de que me propus escrever crónicas, nada mais, e que tudo o resto eram

Sou um ser de hábitos e encontro enorme conforto na rotina. Mas, de tempos a tempos, por força das circunstâncias e da impermanência de que o mundo é feito, vejo-me forçado a mudar. Novas rotinas, outros horários. Depois da resistência inicial, a paternidade permitiu-me alguma flexibilidade. Era mais complicado, antes. No ano em que dei

O peso do mundo pode esmagar um peito incauto. Cruzamo-nos com outras almas e aparentamos estar alinhados na engrenagem. O ranger das peças perfeitamente encaixadas numa ilusão de bem-estar esconde a fealdade, claro. Escorre um ódio muito particular das paredes que compõem o mundo que conhecemos – uma intolerância que tem vindo a insuflar, e

As casas vazias reverberam de outra maneira e acentuam o óbvio. A chave grossa entrou na fechadura e fez com que a porta da entrada se abrisse. O som metálico, seco e imponente, igual ao longo do anos, repetiu-se novamente. A vida são estas repetições que só perante a iminência de as perdermos é que

Olá, Tenho vivido debaixo de uma pedra, ao que parece. Uma das (des)vantagens de não ter redes sociais é não saber das celeumas sociais, tão abundantes nos nossos dias. Por vezes tenho saudades de alimentar a alcoviteira que há em mim, não fosse o mexerico parte integrante de uma das teorias da evolução humana. No

Olá, Percebi, há uns tempos, que vivo uma relação tóxica com a poesia. Diria, até, abusiva e violenta. O meu querido Saramago tirou-me as palavras da boca com o título do seu livro de estreia nas artes poéticas: os poemas possíveis. Passo a explicar: na minha vida, a poesia existe na medida do possível. Rasgou-me

Olá, Mergulhemos na essência que compõe a vida. Vamos, de cabeça, sem recear o desconhecido, sem temer o desfecho mais trágico ou deixar de saborear os acasos felizes com o melhor gosto. Atente o caríssimo leitor que não se trata de irresponsabilidade mas, sim, de aceitar o fatalismo existencialista de que somos um todo para

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