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Crónicas . Da Balbúrdia Article

Até já.

On Agosto 15, 2025porJoão Azevedo

Olá,
Não querendo fazer pirraça, esta crónica sai no meu primeiro dia de férias. Começa no dia da Assunção de Nossa Senhora, diz-me o Google. Como trabalhador por conta de outrem e agnóstico, só tenho a agradecer aos devotos por assegurarem esta festividade a meio do mês de Agosto, que me garantiu um dia extra de descanso. Este Estado laico que celebra institucionalmente feriados religiosos é incoerente, mas tudo é menos mau quando tenho o direito de saborear essa incoerência.

Vou descansar e partilhar tempo com quem mais amo. Vai ser exigente: vamos perdendo o hábito de estar dias inteiros juntos ao longo do ano para, num período concentrado, passarmos duas semanas a interagir uns com os outros. Será cansativo: miúdos pequenos, energia acumulada e a incessante busca pela diversão que caracteriza as crianças. Será maravilhoso: vamos construir memórias novas, ter novas brincadeiras e peripécias e testemunhar o crescimento dos dois seres que, há poucos anos, eram as minhas bolinhas que mais pareciam couves contemplativas.

Vou consciente das camadas de enorme privilégio que é poder ter duas semanas de férias conciliadas com a Sofia e proporcionar aos meus dois filhos uma rotina diferente. Penso nos trabalhadores independentes, precários, sem direito a dias de férias e consequente subsídio, explorados como falsos recibos verdes. Em quem faz trabalho não declarado “pela porta do cavalo” e é explorado na restauração, hotelaria, agricultura. Penso nos escravos modernos, onde máfias gerem a imigração de forma feudal, condenando os servos a existência iníqua para pagarem as suas passagens. Penso nos ordenados baixos que embatem de frente com a inflação e o preço surreal da habitação. Antevejo o agravamento das condições com as novas propostas de legislação laboral e flexibilização da exploração do trabalho.

Penso no poço onde deixámos a humanidade que é a Palestina: a banalização do mal da ocupação israelita, onde criminosos de guerra exterminam crianças, mulheres e homens de um povo. Penso nos outros conflitos: a invasão da Ucrânia, no Burquina Faso, Somália, Sudão, Iémen, Mianmar, Nigéria, Síria. A tez da pele de cada um destes povos determina a preocupação internacional.

Imagem gerada pela IA do Canva

Vou com o privilégio, mas ciente do mundo que me rodeia. E com a intenção de tentar fazer dele um mundo melhor; pelo exemplo que tento dar aos meus filhos, pela minha influência nas esferas onde me movo, pelas conversas e reflexões que vou tendo. Pela ideia simples de que todas as vidas são dignas e devem ser protegidas e respeitadas, e que o livre-arbítrio é um direito inalienável. Consequente, mas inalienável.

Este espaço tem sido uma forma de me expressar de forma livre, sem condicionamentos e com a transparência que consigo assumir na esfera pública. Há sempre partes de nós que gostamos que se mantenham em círculos e esferas mais privadas. Mas este Substack é um espaço que me deu, dá e dará um lugar de fala. Suprime uma das necessidades humanas mais básicas: ser visto, ser ouvido. E funde-se com uma das maravilhas da inteligência humana: o registo da memória e do pensamento. O digital é ainda o espaço de excelência para exercer a liberdade. Pouco da Internet de hoje é o que foi em tempos. Mas ainda é um espaço onde, com alguma dedicação, podemos ser livres no debate de ideias, na expressão individual e no crescimento enquanto comunidade. Quiçá, da nossa civilização. Sonhar é de borla.

Vou parar até ao final do mês. O meu próximo texto regressará na primeira sexta-feira de Setembro. Trará novidades. Uma nova imagem, uma nova estrutura — mas com a periodicidade semanal das crónicas. No essencial, nada muda. Mas serão assinalados os dois anos deste canto digital com um grito do Ipiranga: uma celebração da independência e liberdade digitais no sítio onde escrevo sobre aquilo que penso. Tudo isto sem nunca esquecer o enorme privilégio que é ter quem me leia. São mais de duzentas pessoas que se interessam pelo que escrevo e não tenho palavras para agradecer a cada uma delas.

Preparem-se para a balbúrdia que aí vem!

Até Setembro,
João


  • “Atrás da Escrita” é o primeiro romance do FMR. Terminei-o e fiquei a marinar nas ideias que andaram espraiadas pela leitura e, atentem, foram muitas. Pouco mais de uma hora escrevi ao autor a minha opinião de onde destacado “O teu humor e sátira e crítica misturam-se numa linguagem muito própria, às vezes cansativa, noutras cativante. Mas fez-me sentido a obra, no final. Percebi a ideia, principalmente de que foi o caminho da leitura que mais importou e não o porto onde atracou, finalmente”. A leitura, apesar de ser hilariante, nem sempre é fácil e obriga à reflexão crítica. É uma colagem de contos que se tornou romance numa colagem tipo kintsugi: a obra fica inteira colada com fios de ouro. O livro é crítico do mundo do livros, dos mercados e indústrias literárias. Mas também dos leitores, dos consumos, das culturas e do abandono a que relegamos o ato de ler. Já gostava do que o autor escrevia, agora ainda gosto mais.
  • Primeiro, começou com os parágrafos iniciais do artigo do Ípsilon sobre o filme. A introdução do artigo foi de tal forma cativante que parei de ler no imediato, certo que teria que ver este filme. Depois foi o Davide Pinheiro que apenas disse “VÃO”, em maiúsculas, quase que a gritar connosco, numa emergência que só depois de ver o filme fez sentido. Sirat: consegui ver no fim-de-semana passado. Saí da sala sem saber o que tinha acontecido. Foi uma experiência que, como o Rui Pedro Tendinha disse no Expresso, o cinema “(ainda) consegue proporcionar”. Senti-me numa espécie de viagem de ayahuasca cinematográfica, onde os confins da humanidade são revelados e postos a nu. O filme é sobre um pai desesperado à procura da filha que julga ter desaparecido numa das raves do deserto de Marrocos. Perdão, o filme não é sobre: o filme é um caminho que podemos escolher atravessar de várias formas em direção ao mais primitivo que temos dentro de nós. Um mergulho no sentir e na aceitação de uma impermanência. Por isso: VÃO!

Para continuares a ler

Beber veneno para matar os outros.

Poemas Possíveis

Mergulhos

Tags: 2025, consciência, Crónicas, descanso, férias, intenção, memórias, mundo melhor, privilégio

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