VOO CANCELADO Na cama de hotel que fugitivos faróis rebuscam e a parede estriam de rostos pretéritos que a cada volta um tanto mais soltos se afiguram, como pregos moídos no próprio furo, viro o rosto para o teu lado, na almofada alheia, e conto os dois mil quilómetros que nos separam. O meu coração parabólico alinha-se com as estrelas ocultadas pelas luzes do aeroporto e do posto de abastecimento onde almas mortas vêm por tabaco e cerveja. Intercepto a transmissão do teu sono longínquo e bebo serenado as águas da insónia onde cai a prumo o teu ruído branco.
Rui Lage – Voo Cancelado, Firmamento
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