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Assim não Article

Sem medo.

On Janeiro 15, 2026porJoão Azevedo

Olá,

Galvanizado pelo texto da Rita Dantas – brilhante, conciso e claro – e desiludido com uma conversa que tive com um camarada no trabalho, resolvi escrever sobre estas eleições. Não me sinto tão capaz de fazer uma análise com a qualidade do Ricardo Cabral Fernandes por isso vou fazer o que faço sempre: escrever com honestidade e coração.

Na primeira volta, votarei na Catarina Martins.

Sou uma pessoa muito crítica das estruturas capitalistas vigentes, defensor acérrimo da classe trabalhadora e um crente – pouco me importa se ingénuo ou não – num ideal humanista de existência em cooperação. Não me vou alongar nos porquês, mas não me revejo em nenhum partido à direita do PS inclusivé. Nestas eleições, só equacionei votar no António Filipe, na Catarina Martins e no Jorge Pinto. O meu deslumbramento com o LIVRE começou o seu declínio com as decisões internas do partido em não apoiar nenhum candidato e escolher um próprio: já tínhamos a candidatura da Catarina e do António, pelo que um novo nome iria fragmentar uma esquerda já por si estilhaçada. Este factor, aliado à falta de arcabouço institucional, eliminou o Jorge Pinto da minha shortlist. Sobraram-me o candidato apoiado pelo PCP e a apoiada pelo Bloco de Esquerda. São muito idênticos no essencial e, principalmente, no conjunto de características que tornam num garante institucional do respeito democrático e constitucional. Ambos defendem a constituição e tentariam, por todos os meios institucionais e legais ao seu alcance, impedir devaneios radicais da direita destrambelhada no parlamento. Acabei por escolher votar na Catarina porque, neste momento em específico, a ideia de ter uma mulher, humanista e progressista, como presidente me parece mais essencial que nunca. Para que a sociedade portuguesa, cada vez mais conservadora e profundamente patriarcal, tenha um contra-peso à maioria de homens brancos com mais de cinquenta anos que debatem e decidem os destinos do nosso país.

Imagem gerada pelo Nano Banana Pro da Google

Porque nunca votaria António José Seguro na primeira volta.

Porque ele não me representa. Aliás, representa as premissas e instituições políticas e ideológicas que proliferam em maioria no parlamento há décadas. É uma das sanguessugas da democracia portuguesa, emaranhado nas teias de interesses, favores e poderes. E está longe, muito longe, de acolher as aspirações e necessidades do povo português. Não o pode fazer, em boa verdade: está refém de lógicas financeiras que redundam em estratégias políticas. Esta semana conversei com um colega que costuma estar no mesmo campo político que o meu. Fiquei admirado porque anunciou que ia votar no Seguro porque não quer correr o risco de não o ter na segunda volta. No seu entendimento, o candidato apoiado pelo PS terá um papel diferente do Cotrim ou do Marques Mendes. E esta premissa sustenta a intenção de voto dele; é também nesta premissa que começa a minha discordância e, para ilustrar o porquê, muno-me de uma citação do texto da Rita:

É com estas duas pessoas que estamos a contar para impedir a viragem à direita? Nalgum momento eles nos deram indícios reais de que vão travar a perda de direitos, a decadência programada do SNS, a deriva xenófoba? Não.

Aliás, mal posso esperar pela “promulgação rigorosa” da lei da nacionalidade, pela “promulgação preocupada” do pacote laboral e pela “promulgação cautelosa” da nova lei de bases da Saúde.

Vai ser um fartote.

É precisamente por saber que as promulgações de Seguro, Cotrim ou Mendes serão iguais, com adjectivações diferentes, que sou incapaz de compreender eleitores da esquerda contestatária e socialista que votam no António José. É o mesmo argumentário que uso para explicar que, do Partido Socialista para a direita, é tudo farinha do mesmo saco, estruturalmente falando. E votar com medo dos resultados políticos ao invés da convicção é subverter o poder do voto e reforçar as deficiências da democracia representativa. Foi o medo que nos manteve amordaçados quarenta e oito anos.

Segunda volta: e agora?

Sabendo que nenhum dos candidatos que julgo terem o melhor perfil para a presidência terá grandes hipóteses de passar à segunda volta, torna-se tudo mais fácil. Entre um pedaço de merda e o Ventura, a merda terá sempre o meu voto. Votarei em qualquer coisa, menos no candidato que anda a bramir que nos fazem falta Salazares. Dizia o meu colega que tem medo do Cotrim, do Almirante e do Marques Mendes. Volto à linha de raciocínio de há pouco: é irrelevante. Serão todos “um fartote” muito semelhante, muito parecido e alinhado nas suas convicções. No essencial, permitirão todos o mesmo aos governos e terão as mesmas linhas orientadoras. Oxalá esteja errado. Até lá, tudo menos o facho.

Abraço-vos,

João

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Tags: 2026, eleições, presidenciais, voto

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