Esta semana, deixo-vos novamente com um poema. Descobri o Daniel Faria tarde, mas valeu a pena a demora. São poucos os que conseguem colocar em palavras o que me vai na alma. Este poema é um desses belos exemplos de como nos podemos deixar tocar pela beleza que a humanidade consegue criar, mesmo quando esculpimos o belo a partir da angústia de existir. A programação seguirá o seu curso normal na próxima semana.

Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem
Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas
Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas
Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar
Daniel Faria
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